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Os
crentes, protestantes, evangélicos,
não podem protestar?
27/4/2006
Não
podem: Os crentes, protestantes,
evangélicos, cristãos-não-católicos...
No Brasil:
Não podem lutar contra o racismo, nem
contra a injustiça agrária
Não podem sair em passeatas protestando
contra a fome, a miséria, a violência.
Não podem denunciar corrupção, máfias,
Não podem profetizar contra as
autoridades constituídas corrompidas.
Não podem questionar, refletir...
Frases comuns em nosso meio, pensamento
dominante em nosso meio, pecado
corriqueiro em nosso meio.
Valores próprios da classe média
conservadora, corporativa, reacionária,
preconceituosa, prevalecente na igreja
dos crentes, protestantes, evangélicos,
cristãos-não-católicos...
Nas igrejas históricas destacadamente
burguesa e esbranquiçada: tudo em nome
da tradição.
Lembro-me das igrejas
americanas que ainda hoje segregam ou,
das igrejas do século XIX para trás
legitimadoras da escravidão.
A igreja católica romana relutou muitos
anos para afirmar que o negro tinha
alma.
A igreja dos crentes, protestantes,
evangélicos, cristãos-não-católicos
sempre legitimou a injustiça social,
sempre foi aliada da classe dominante
injusta e cruel (com ilhas de exceções).
Nas denominações pentecostais e
neo-pentecostais os excluídos ou filhos
de excluídos ascendem com o talento da
eloqüência nos púlpitos.
Pretos, cafuzos, caboclos, mestiços que
se adaptam ao sistema como cordeiros
inofensivos. Na pior (melhor) das
hipóteses, só exploram a prole, a ralé
incauta.
Massa de manobra subserviente, faz a
“fezinha” ofertando como quem joga na
loteria.
Massa essa utilizada também pelos
políticos profissionais destruidores
paulatinos da nação.
“Temos que ser dóceis, cordiais,
humildes”.
“O exemplo de João Batista e de Jesus,
questionando o sistema político e
religioso não é para hoje”.
“Temos que nos calar e sermos
simpáticos, se não eles vêm e nos matam
nos prendem, nos perseguem, nos
exterminam.”
“Precisamos preservar a nossa 'liberdade
religiosa e de expressão' afinal de
contas está tudo bem. Não há o que
denunciar, não há tantos crimes, roubos,
estupros, desvios de dinheiro público,
imoralidades sexuais, miséria, fome,
medo, falta de assistência médica para: crianças, velhos, operários; tantas
favelas; tanta tristeza, lágrimas;
pedofilia; meninos de rua,
fome, mortalidade infantil, genocídios.
E o que existe não é de nossa conta.
Além do mais tudo isso é conseqüência do
pecado.
“Vamos cantar, vamos louvar e, claro,
evangelizar, se quiserem vir as nossas
igrejas, serão libertos.”
“Somos cidadãos do céu, não temos nada a
ver com isso.”
“O exemplo dos profetas que denunciavam
injustiça social não é para hoje”. As
denuncias de Tiago não são para hoje.
"Cuidado! não mexa, não vale a pena.
Você é carnal, socialista, comunista,
rebelde."
Os crentes fizeram um pacto com o diabo:
“Ele (satanás) não mexe com a gente e a
gente não mexe com ele.”
Mas ainda não é o fim...
Pr.
Pedro Luis da Silva
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