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Dom Robinson
Cavalcanti
(*)
Todos os
seres e
instituições
existem com
um
propósito,
construtivo
ou
destrutivo.
Chamemos
esse
objetivo de
missão.
Muitas
vezes,
pessoas e
instituições
se afastam
de seu
objetivo
original, ou
o
implementam
por métodos
inadequados
ou
ilegítimos.
O pensador
anglicano
Michael
Greene
afirmou: “A
Igreja ou é
missionária,
ou não é
Igreja”.
Jesus
Cristo, se
esvaziou,
encarnou em
uma cultura
e uma
conjuntura,
rompeu
barreiras
sociais,
exortou,
realizou
sinais e
prodígios.
Ele é o
exemplo para
a Igreja: o
Messias
prometido,
que
transformou
água em
vinho e
bebeu fel na
cruz — da
festa ao
martírio.
Foi ele quem
disse:
“Assim como
o Pai me
enviou, eu
também vos
envio” (Jo
20.21b). A
Palavra nos
mostra o
modelo da
missão de
Cristo, bem
como da
nossa:
“Percorria
Jesus toda a
Galiléia,
ensinando
nas
sinagogas,
pregando o
evangelho do
reino e
curando toda
sorte de
doenças e
enfermidades
entre o
povo” (Mt
4.23). Para
o
comentarista
da Bíblia de
Genebra,
“ensinar
envolvia a
comunicação
da natureza
e propósito
do reino de
Deus, como é
visto no
sermão do
monte (caps.
4-7) e nas
parábolas do
reino
(cap.13).
Pregar era
anunciar as
boas novas
de que o
reino de
Deus estava
próximo, e
que seus
soberanos
propósitos
na história
estavam
sendo
finalmente
realizados.
Curar, bem
como ensinar
e pregar,
era sinal de
que o reino
já tinha
vindo” (Mt
11.5).
Ele recrutou
seus
discípulos
de diversos
segmentos
sociais e
demonstrou
que o reino
de Deus não
se
identificava
com nenhum
dos partidos
do seu
tempo. O
Messias era
a Palavra
viva,
herdeira das
palavras de
Javé,
libertando o
seu povo da
servidão do
Egito,
outorgando-lhe
a Lei,
falando
pelos
profetas. Na
sinagoga de
Nazaré,
assumiu o
seu messiado
e a
realização
da profecia
de Isaías:
“O Espírito
do Senhor
está sobre
mim, pelo
que me ungiu
para
evangelizar
os pobres;
enviou-me
para
proclamar
libertação
aos cativos
e
restauração
da vista aos
cegos, para
por em
liberdade os
oprimidos, e
apregoar o
ano
aceitável do
Senhor” (Lc
4.18-19).
Esse texto
não deve ser
“espiritualizado”,
ou
“materializado”,
pois nos
lembra o
ideal de
Deus para
uma ética
social
superior, no
Ano Sabático
e no Ano do
Jubileu, a
realização
plena
escatológica
(o “ainda
não”) e as
possibilidades
de fazer
avançar na
história os
valores do
reino (o
“já”).
A missão da
Igreja
deveria
ultrapassar
a tentação
localista de
uma mera
seita
judaica, e
se expandir
por todo o
mundo. O
cristianismo
é
intrinsecamente
expansionista,
porque o
evangelho
deve ser
levado “até
os confins
da terra” (At
1.8). O
Espírito
Santo no
Pentecostes
foi
derramamento
de poder e
outorga de
dons, para
tornar
possível o
cumprimento
dessa
missão, que
não é
opcional,
mas
imperativa:
“Ide”. Foi
essa a
obediência
dos
mártires, e
a Igreja
pagou um
preço quando
foi
coerente,
mas
envergonhou
o seu Senhor
em tantos
episódios
pouco
dignos, que,
periodicamente,
a chama para
reforma e
avivamento;
para
coerência e
obediência.
Evangélicos,
continuamos
a crer que a
prioridade
da missão é
a
evangelização,
entendida
como “... a
apresentação
de Jesus
Cristo no
poder do
Espírito
Santo, de
tal maneira
que os
homens
possam
conhecê-lo
como
Salvador e
servi-lo
como Senhor,
na comunhão
da Igreja e
na vocação
da vida
comum”.
Na Idade
Contemporânea,
o
malabarismo
mental de
teólogos
liberais
forjou um
universalismo
salvífico,
que descolou
o Jesus
histórico do
Cristo de
Deus, e
terminou
vendo “a
face
escondida de
Cristo atrás
dos
orixás...”.
No final do
século 19 e
início do
século 20,
nos Estados
Unidos, a
missão da
Igreja foi
dilacerada
entre um
“evangelho
social” e um
“evangelho
individual”,
unilaterais
e
parcializadores.
A missão,
tantas vezes
atrelada a
culturas,
impérios e
sistemas
políticos ou
econômicos,
foi
violentada e
empobrecida.
Aos
extremismos
liberal e
fundamentalista,
o
evangelicalismo
— com toda a
sua história
de piedade
engajada, de
um
Wilbeforce
ou um Lord
Shaftsbury,
herdeiro da
pré-reforma,
da reforma,
do
puritanismo,
do pietismo,
do
avivalismo e
do movimento
missionário,
com seu
conteúdo de
uma teologia
bíblica e
histórica,
foi capaz
de,
principalmente
com o
Congresso e
o Pacto de
Lausanne,
devolver à
Igreja a sua
missão
recomposta:
“o Evangelho
todo, para o
homem todo e
para todos
os homens”.
É a missão
integral,
que, na
resolução da
Conferência
de Lambeth,
de 1988, dos
bispos
anglicanos,
deve incluir
e integrar
as
dimensões:
a) proclamar
as boas
novas do
reino; b)
ensinar,
batizar e
instruir os
convertidos;
c) responder
às
necessidades
humanas por
serviço em
amor; d)
procurar
transformar
as
estruturas
iníquas da
sociedade;
e) defender
a vida e a
integridade
da criação.
Na América
Latina
destacamos o
papel da
Fraternidade
Teológica
Latino-Americana
(FTL).
Somente um
grande
desconhecimento
histórico ou
uma grande
má-fé podem
ser
responsáveis
por se
procurar
identificar
a Teologia
da Missão da
Igreja,
evangélica,
com a
Teologia da
Libertação,
de premissas
e história
liberais. No
meio de
antigas e
novas
distorções,
reafirmemos
a mui
bíblica
missão
integral.
____________
Dom
Robinson
Cavalcanti
é bispo
anglicano da
Diocese do
Recife e
autor de,
entre
outros,
Cristianismo
e Política –
teoria
bíblica e
prática
histórica e
A Igreja, o
País e o
Mundo –
desafios a
uma fé
engajada. |